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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Palheta ou Dedo - E agora!?

Respeitável público,




Hoje tentarei abordar um tema por várias vezes discutido entre diversos guitarristas. Esse talvez seja um dos assuntos mais polêmicos entre guitarristas em uma determinada época da vida. Assim como todo mundo passa pela adolescência, todo guitarrista tenta provar que a palheta é melhor que o dedo e/ou vice-versa.



Mas e então? Dedo ou Palheta? E agora!?
Bom, a resposta rápida é: - Os dois!

 
Mas eu quero escolher o estilo principal!
Então, vamos à luta!



Se você gosta do Mark Knopfler e seu amigo gosta do Sueco Fritador, provavelmente vocês já tentaram colocar na mesa de discussão que 'tocar de dedo' é melhor que 'tocar de palheta'. Nesse momento, você pega sua guitarra e faz uma frase cheia de saltos de corda e double-stops. Na outra ponta, seu amiguinho pega sua Dunlop Jazz-III e faz uma frase de 3 notas por corda, todas palhetadas, linda de morrer e muito bem executada.

Nessa brincadeira, passa o dia e ninguém chegou a lugar algum.


Na minha opinião, todas tem seus benefícios, mas cabe ao guitarrista fazer da sua técnica favorita seu meio de expressão.



Bom, chega de mimimi e vamos aos pontos.



Timbre.

Esse talvez seja o principal fator que faz com que alguns guitarristas optem pelo uso dos dedos ao invés da palheta. De início a gente não percebe, mas, com o tempo e o amadurecimento da percepção do timbre, o som proveniente dos dedos é nitidamente mais cheio e gordo do que a palheta.

E nem sou eu quem fala.
Quem afirma isso é o 'Cabra' do vídeo abaixo. (1m32s do vídeo)


No vídeo, o pequeno Scott (esse tem futuro) fala do uso da palheta e do dedo. É facilmente perceptível a mudança do timbre quando ele usa a ponta da palheta, a borda da palheta e o dedo.



Outro menino que aborda esse tema é o desconhecido Robben Ford (olho nele). No vídeo abaixo, o próprio Robben faz uma breve análise sobre as duas técnicas.

Nesse vídeo, Robben foi direto ao ponto.
Palheta para velocidade e 'dedos' para o Blues.

No decorrer do vídeo, ele faz uma pequena demonstração da diferença entre as técnicas.
Uma das coisas mais importantes, na minha opinião a mais importante, é o "pop" ou "slap" das cordas com o uso dos dedos. A dinâmica das notas reflete, ao meu ver, toda a intensidade e emoção de uma frase. (0m50s do vídeo)

Lógico que ele poderia ter feito essa frase com a palheta, e provavelmente sairia muito parecido com o original tocado com os dedos. Mas a opção pelos dedos traz, não sei se é só eu que ouço, um "micro silêncio" entre as notas que faz toda a diferença.

Bem, aí ele entra com a palheta e a coisa toda muda de figura.

Com a palheta, a nota fica amplificada e definida. A definição, nesse caso, é causada pelo contato da palheta com a corda. O 'tic' define o ataque da nota e a dureza/material da palheta irão definir o volume dessa nota.
Tocar com a palheta também pode ser bluesy (Jimi que o diga), e traz um destaque ao guitarrista em termos de volume e agressividade.


Ah, mas eu gosto de metal e não dá pra fazer os arpeggios sem a palheta.

Quem disse?


Esse maluco aí fritou tudo. Claro que esse moço usou uma super técnica de violão clássico e, com o uso das unhas, o cara parece que toca com 3 palhetas. 

Claro que aí ele está usando cordas baixinhas, tensão leve, um abafador e fatalmente um compressor. Mas isso quase todo metaleiro usa.

Se o 'Jovem Shreder' quer um pouco mais de força em um fraseado como esse, a palheta é, na minha opinião, a escolha ideal, pois ela poderá adicionar mais dinâmica ás notas. Mas está aí a prova de que não é preciso palheta pra executar essas coisas.


Acho que por esses 3 vídeos, dá pra perceber que, quando o timbre do instrumento se sobressai sobre a distorção, o timbre dos dedos é mais aveludado/encorpado do que com a palheta. Isso logicamente acontece devido ao contato da carne com as cordas.




Técnica de mão direita (no caso dos destros).


Dependendo da sua técnica da mão esquerda... sim, esquerda, ela pode influenciar diretamente em como sua mão direita irá atacar as cordas. Se você gosta de tocar 'super harmonias' no estilo Ted Greene, não usar a palheta é quase uma obrigação, mas se você curte um estilo Holdsworth de ser, pode ser que a palheta ajude.

No caso da técnica de legato, como a maioria das notas se pronunciarão por execução apenas da mão esquerda, na minha opinião, 'de dedo' ou 'de palheta' não irão fazer a menor diferença.

Allan Holdsworth usa palheta na maioria do tempo, já o Allen Hinds usa os dedos em quase todo o show.

Se você tem uma pegada mais forte como a do Malmsteen ou do Joe Satriani, a palhetada traz o ataque e a presença necessárias ao estilo que irão ajudar, e muito, naqueles vibratos brutais à là Zakk Wylde.

Caras como Clapton, Eric Johnson, Joe Bonamassa (o Pizzaiolo) e SRV estão ligados diretamente com a palheta. Clapton, de vez em quando larga a maldita, mas é por uma ou duas músicas. Já o BB King nunca largou a palheta e, com certeza aquele 'twing' e vibratos dele jamais sairiam daquele jeito sem a bendita pontiaguda.

Um detalhe que alguns guitarristas observam é, que com o uso da palheta, existe um choque de volumes muito grandes entre o contato dela com a corda, isto é, no exato instante que a nota começa a se pronunciar e o restante (sustain) dela.
Tentando descrever isso, é como se fosse um assim: -PEeeeeeemmmm.

Não confundir com o efeito 'Tuleum'


Pra evitar esse tipo de 'choque', guitarristas como Jack Pearson, palhetam suavemente as cordas, causando uma uniformidade durante a vida daquela nota


A turma que curte um Jazz tradicional, chord medody e aquele fraseado de oitavas, geralmente apela e acaba por usar somente o polegar para tocar. Pois o polegar não traz o 'raspar' da palheta

Dizem que a 'pegada de polegar' começou quando o Wes Montgomery, então estudante de guitarra, ouvia muitas reclamações dos vizinhos porque, quando ele praticava, o volume era muito alto. Então, pra não deixar de praticar, ele passou a usar o polegar de forma suave ao invés da palheta para seus estudos. Depois disso, o resto é história.

E que história


Tudo no polegar! impressionante.


Outro cara que já fez de tudo é o Jeff Beck. O cara toca de palheta, dedo e polegar (que também é dedo, mas eu vou considerar como um joanete). Jeff sabe quais as técnicas ideais para cada tipo de música. Claro que ele raramente usa palheta, mas quando usa, faz com maestria. No caso dele, tudo que ele pôde adaptar para o fingerstyle, ele adaptou

Jeff já declarou que gosta mesmo é do timbre extraído pelo polegar. Certa vez, Jeff estava fazendo manutenção nos seus Hot Rods e sofreu um acidente que quase decepa seu polegar da mão direita. Depois da recuperação ele confessou que ficou com medo de não poder usar mais o polegar devidamente, pois descobrira que 'Its all about the thumb'.

Mas quem nunca ouviu ele destruindo de palheta?

Pois é...

 

Junto desse bolo todo, teve um cara que passou meio desapercebido perante essa turma toda. Esse cara é um tal de Mark Knopfler. Esse cara talvez seja, mesmo não sendo o pioneiro, a maior referência de fingerstyle na guitarra elétrica até hoje
Todo mundo que vê um cara tocando sem palheta diz: - Olha aí o cara tocando feito o 'Dari Strit'!

Não dá pra imaginar Sultans os Swing tocado de palheta. Até que sai, mas não é a mesma coisa.

Já postei isso aqui.
Mas está aí o homem falando a mesma coisa dos outros.

Todos dizem a mesma coisa. Palheta é para velocidade.


Uma das coisas que faz com que alguns guitarristas troquem a palheta pelos dedos é apenas o conforto. Alguns, como eu, não se sentem à vontade segurando a palheta ou até mesmo seguram de uma maneira desconfortável causando cansaço ou desconforto ao longo de um show.

No caso do senhorzinho aí em cima, tudo começou por conforto. Certo dia ele estava dedilhando um violão e percebeu que tudo que ele fazia com a palheta, ele fazia com os dedos. Então, por naturalidade, ficaram os dedos.

E olha que o ídolo maior dele é o Hank Marvin, um palheteiro de primeira.

Percebe-se então, que o fato de eu gostar de Steve Morse não significa que tenho que usar palheta. Também é justo dizer que mesmo o Mark Knopfler sendo para alguns o guitarrista mais sentimental de todos, esses, não necessariamente precisam largar a bendita palheta.


Até agora, só fiz escrever de um e de outro. Estou parecendo um moleque que acha que acha que técnica de guitarra é igual ao Highlander.

Então porque não unir o útil ao agradável e misturar as duas técnicas assim como fez Chet Atkins, Josh Smith, Vince Gill, Albert Lee, Danny Gatton e todos aqueles que gostam de música caipira?


Pois não é que parece bom!


Pois é, essa técnica visualmente feiosa é conhecida como 'Chicken Picking'. Isso porque, eu acho, que é porque o desenho da mão da palheta parece uma galinha quando a gente brinca de fazer sombra na parede.




Sério! Vê se não parece?

Essa técnica consiste de duas formas. 
Uma com palheta comum e a outra com a famosa, e não muito utilizada por guitarristas, Dedeira (palheta de polegar).

Não é Mamadeira, ok?


Aí já entramos em mundo de alienígenas. Porque esses caras conseguem extrair o melhor de 2 mundos, isto é, conseguem palhetar com velocidade e força, fazer double stops, saltos de cordas, frases caipirescas... enfim, tudo!

Particularmente, eu detesto a palheta de polegar, pois parece que o dedo fica com 10Kgs. Mas, por outro lado, deixa os outros dedos livres.

Outra coisa que não gosto de usar a dedeira, é que timbre extraído pelo polegar vai ser sempre 'palhetizado', e pra mim, o polegar é parte importantíssima para um timbre gordo e ritmos meio abafados. 

Eu mesmo, cansei de ouvir o Just One Night do Clapton e ficar avançando as músicas pra chegar na parte do Albert Lee. A pegada de Chicken Picking dele naquele disco é impressionante.


Me lembro também de ouvir a fase menos pesada do Brett Garsed e fiquei doido querendo saber como ele fazia toda aquele fraseado rock/fusion e no meio daquela coisa toda ele metia um slap que eu tentava adivinhar de onde vinha. A resposta: Chicken Picking.


Tenho que verificar o registro dele no MIB. (3:30 do vídeo)

É!

Próximo tópico...



Tipos de palheta



Para os que optam pelo uso da palheta, ou até para aqueles que, assim como eu, tentam criar uma relação com ela, o tipo da palheta influencia, e muito, no timbre desejado.

Mas isso é meio óbvio, pois existem vários tipos de palhetas feitas com diversos tipos de materiais.
Sendo assim, cada material trará um timbre diferente ao instrumento, além disso, como mostrado pelo Scott, dá pra tirar dois tipos de timbre com uma só palheta.


Existem palhetas de diversos tamanhos. Redondas, pequenas, grandes, triangulares (Carlos Santana), grossas, finas, pontiagudas, arredondadas... Assim como podem ser feitas de diversos materiais como o plástico, madeira, osso, vidro, metal, carbono e materiais sintéticos porosos ou lisos.


Uma ideia da diferença entre palhetas de materiais diferentes


Se você não entende porque aquela palheta que vem junto do encordoamento que você usa uma porcaria. 
Não entenda. Ela é ruim mesmo. Tão ruim que desmotiva.

Existem palhetas para todos os gostos, mas generalizando um pouco, vou tentar associar algumas coisas com palhetas.

Pra tocar o Blues, palhetas Fender Heavy, pra mim são as melhores, pois elas tendem a criar dentes nas bordas e fazem o som ficar raivoso. Danny Gatton arranhava suas palhetas Fender nos knobs da Telecaster. Joe Satriani também prefere as palhetas Fender usadas, pois ele gosta do "arranhado" que os dentes da palheta fazem.

Para metaleiros perfeccionistas, palhetas porosas de 2mm ou mais. Alguns metaleiros atuais costumam usar palhetas de vidro ou de metal. Ambas, de preferência, pequenas.

David Gilmour agora palhetas Gibson Tear Drop.

Jazzistas preferem as famosas Jazz III. Porem, Pat Metheny usa palhetas comuns extremamente finas e moles.

Para aqueles que não tem afinidade com o fingerstyle mas querem o som gordo dos dedos, palhetas de madeira são as mais indicadas.




Prós e Contras


Sei que não sou o mais indicado pra falar, pois sou mais adepto ao uso dos dedos, mas vou tentar esclarecer um pouco do que eu acredito ser benéfico, ou não, entre palhetas e dedos.

Bom, pra mim não existe esse negócio de 'prós e contras'. Tudo é questão de preferência.

Claro que coisas como execuções de 3 notas por corda, sweeps, rakes, harmônicos articificiais, etc... são mais fáceis fazer com palheta.
Da mesma forma que saltos de cordas, timbres aveludados, slaps, double stops e ghost notes são mais tranquilas de fazer com os dedos.



Ah, mas tem um que é melhor que o outro?


Não necessariamente. É realmente uma questão de conforto e identificação com o estilo. Tudo é possível de fazer usando os dedos e palhetas. Cabe o bom senso do guitarrista na hora de tocar.


Muitos professores de guitarra usam apenas a palheta e querem que seus alunos a usem também devido a facilidade dele, o professor, passar os exercícios e aplicações.
Como a maioria dos guitarristas usa palheta, existem boas técnicas de palhetada. Caras como o Frank Gambale e John Petrucci são exímios palheteiros, mas cabe ao estudante que prefira os dedos tentar adaptar as técnicas de palheta para o fingerstyle.



Escreveu tanto e não disse nada!


Também não é por aí. 
Copiar as coisas de outros guitarristas faz parte do processo de ser músico. Um escritor lê muito antes de escrever seu primeiro livro.

Mas, ser músico, no caso, guitarrista, é fazer música com uma assinatura própria. Tocando lento ou rápido, som cru ou processado, o que vale é ser reconhecido pelo seu som, seu timbre, seja tocando cover ou autoral.

O negócio é não ter preconceitos e procurar ter o máximo de autenticidade no seu som. De palheta ou de dedo, o que importa não é como você toca, mas sim se o que sai dos seus dedos é de verdadeiro.






Quero deixar como coautor desse post o Guilherme Dantas. Ele quem me sugeriu para que eu escrevesse sobre esse assunto. Muita coisa que está aqui no post, foi fruto de um bate-papo no post anterior.



Abraço!


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Mark Knopfler - Single 2015 - Beryl - Voltando as origens? [Atualizado]

Agora é que danosse...


[A strato volta a falar]
Estava sentido falta de uma música com bastante 'guitarrada' do Sr. Knopfler. Apoi num foi que o homi me manda um single do próximo álbum cheio de guitarras. E ainda com aquele som de strato que marcou sua sonoridade original.

Claro que o 'bom velhinho' está mais comportado, mas parece que essa música saiu diretamente do álbum Communiqué. Se tivesse uma bateria mais seca essa música caberia no repertório dos Straits com certeza.


Quem venha 'Beryl' e mais 'guitarradas straits' no álbum 'Tracker' que está por vir.


[Mark Knopfler - Beryl - Novo álbum em 2015 - Tracker]



Abraço!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Mark Knopfler, o "errado" que deu certo - Parte 4 e Final! Ufa!

[Saideira...]
Ufa! Dessa vez prometo que termino a saga guitarrística do Sr. Knopfler. Enrolei muito, mas agora vai!

Enfim, depois da euforia guitarrística do Dire Straits, o chefão largou o barco e foi se aventurar em águas rasas.

Depois do quase lançamento do seu disco solo em 1993, o Sr. Markito (agora é com carinho), como disse no final do post anterior, encontra sua nova musa inspiradora. A Gibson Les Paul 1958!


Ah, Ele já tocava de Les Paul nos anos 80... E aí?


Já disse! Aqui, nada! Tudo bem, mas o próprio dizia que essa LP de 1984 não era lá essas coisas, ele gostava mesmo era do visual dela. Tanto que usava ela pouco.

[Ei, aceita cartão?]
Todo mundo sabe que a época mais foda das Gibson Les Paul são as GoldTop 1956 com p90, 1958 e 1959. Isso porque tinha Mogno sobrando e Jacarandá da Bahia legalizado pra usar à vontade, isto é, o cara fazia uma LP completa, se soasse feiosa, jogava fora ou queimava na lareira. Fora isso, os lendários PAFs ainda não haviam sido perdidos. Em resumo, essas guitarras são inacreditáveis, tanto que chegam a valer uma fortuna!


Sim, mas e essa Gibson 58??


O Sr. Knopfler comprou a mocinha dele por volta de 1995 e daí, gravou mais uma punhada de músicas pro disco novo tendo ela, a LP, como alvo.

A Les Paul do Sr. Knopfler é uma standard mesmo. Corpo e braço em Mogno de Honduras/Belize, Escala em Jacarandá da Bahia (Brazilian Rosewood), captadores PAF originais, e, após um fret-job e colocação de trastes dunlop 6100, o bicho pegou! 




O homem gostou tanto dessa LP 58, que várias músicas que ele tocava de strato, ele trocou pela Gibson!

[O homem e a Stratocaster 1954]

Fora essa Les Paul, o Sr. Knopfler também gastou mais um dinheirinho em uma outra Les Paul 1959 e numa Fender Stratocaster 1954, ambas originais. Ainda bem que ele tinha limite no cartão, né?

Enfim, guitarristicamente falando, o fraseado do Sr. Knopfler agora está mais relaxado e vintage, sem falar na gordura do som, que agora é gordo de verdade, com humbucker de verdade. E pra aumentar ainda mais a gordura, acho que ele só foi usar o captador da ponte da sua LP pra alguma coisa lá pra 2007!!!


E o timbre dessa LP 58...?


[Ao vivo com a LP58]

Ta aí! Agora, o Sr. Knopfler não vai mais deixar de saturar seus amplificadores! Em se tratando de Les Pauls, nunca mais!

Podem reparar que o fraseado está mais simples, mais Rock n' Roll, mais purista. E essa fase só irá refinar mais ainda, até meados de 2003, porque depois daí, o timbre continua show mas o guitarrista... nem tanto!







Bom, mas vamos pra fase que o bicho ainda pega!


[Golden Heart - 1996]
SETLIST:

01- Darling Pretty
02- Imelda
03- Golden Heart
04- No Can Do

05- Vic and Ray
06- Don't You Get It

07- A Night in Summer Long Ago
08- Cannibals
09- I'm the Fool
10- Je Suis Désolé
11- Rüdiger
12- Nobody's Got the Gun
13- Done with Bonaparte
14- Are We in Trouble Now


Os pontos fortes em termos de guitarra nesse disco são a novelística Darling Pretty, o 'rockão' Imelda, a vintage Don't You Get It (ambas de Les Paul) e o retorno das Pensas Suhr na introspectiva Vic and Ray e na belíssima Rüdiger. Mas pra mim o show mesmo esta no final de Je Suis Désolé.

Nota-se que novamente o ambiente das músicas muda, agora mais europeias, as músicas são descompromissadas e bacanas. Além disso, essa liberdade faz com que o Sr. Knopfler, preste suas homenagens as músicas tradicionais do Reino Unido.

Nesse disco ainda estão as Schecters Stratos e Teles, Pensas Suhr, Les Pauls, Martins, Dobros a inclusão de outros instrumentos tradicionais como Bouzuki, Mandolin entre outros. 

Pra esse disco e turnê foram usadas 4 Pensas, as ja tradicionais Pensa MK1 e Pensa MKS (Preta) ambas com os então "ultrapassados" captadores EMG e mais 2 recém encomendadas. Ambas com captadores passivos e timbre de strato puxando pro tradicional e sem a parceria com John Suhr.

[Pensa Custom]
Essa mocinha e a próxima foi feita para suprir apenas duas necessidades do Sr. Knopfler. Uma era que ele estava cansado do som dos caps ativos e outra que ele também estava cansado de stratocasters. Porém, como stratos eram sua marca registrada, ele solicitou 2 guitarras que tivessem o shape de uma strato, mas fossem feitas de Mogno e com captadores de altíssima performance, que seriam os Lindy Fralins '54.


[Pensa MK 2]
O homem estava tão maluco por Gibsons e tão desgostoso por stratos que encomendou para Rudy Pensa uma Strato/Gibson, isto é, uma Gibson disfarçada numa strato. Isso porque a MK2 tem o corpo arqueado, ponte tune-o-matic e braço e escala no padrão Gibson. As únicas coisas de strato nessa guitarra são os captadores single, o formato do corpo e do headstock. Só!

Com essas mocinhas, a vida do Sr. Knofler se voltava para o som orgânico.


Mas e ele ligava isso tudo onde?

[Crank it Out]
Nos famosos e quase inseparáveis Soldanos SLO, Marshall JTM, Fender Twin e Crate. Isso mesmo, amplificadores Crate que ele mesmo detestou depois.

Fora isso, ainda havia toda a parafernália de efeitos, que agora era reduzida, pois o homem não queria muito trabalho com os pés.

Pois é, depois que chega certa idade, menos é sempre mais!



Bom, depois do debut como artista solo, o Sr. Knopfler novamente se junta com seus amigos cowboys do Notting Hillbillies para mais uma temporada de shows. Mas agora tudo faz sentido, pois toda cabecinha do Sir Mark está voltada pra música que mais gostava: A simples!


De Les Pauls, Dobros e Strato vintage, o Scottish-Cowboy agora esta pisando em terra firme. 

Lembram do disco do NHB? Não era um vintage com timbres modernosos? Pois agora é vintage, com sonoridade, equipamento e timbre vintage de verdade. É aí que o fraseado jazz-caipira, que se tornaria o cowntry (cáuntri ou k-1-three) prevalece sobre os demais.

[Vintage Knopfler]
Nessa época, MK começa a abandonar quase por completo outra de suas marcas registradas, o pedal de volume.

Bacana dessa fase é que até o ano 2000 Mark Knopfler não lançaria nenhum novo album, apenas trilhas sonoras em que os ambientes se tornam ainda mais vintages.

Todo esse hiato é muito bom, pois o próximo disco será extraordinário, uma mistura perfeita do Dire Straits com a cultura raiz do sul dos Estados Unidos. O próximo disco será também o último em que o Sr. Knopfler mostrará toda sua destreza nas guitarras.


'Guitarrando' para Filadélfia....



[Sailing to Philadelphia]

Pra mim, esse disco sintetiza toda a carreira musical/guitarrística do Sr. Knofpfler. Tem muita guitarra, muito timbre foda e músicas de tirar o chapéu. Aqui tem Blues, Country, Rock, músicas na pegada do começo do Dire Straits, músicas grandiosas e aquelas bem soturnas que só o Sr. Knopfler poderia compor.

Esse disco demorou 3 anos pra ficar pronto, isso porque as sessões de gravação foram divididas em 2 partes, uma em Londres e a outra em Nashville.

Aqui o 'Caba' manda brasa mesmo na guitarra, e sem egoismo. Isso porque a partir daí, a presença de convidados nos seus discos se torna um hábito cada vez mais frequente. Mas nesse disco a coisa é simplesmente demais, pra mim, esse é o melhor disco da carreira pós Straits do Sr. Mark Knopfler.

[Sailing to Philadelphia - 2000]
SETLIST:

01- What it is

02- Sailing to Philadelphia
03- Who's your baby now
04- Baloney again
05- The last laugh
06- Silvertown blues
07- El Macho
08- Prairie wedding
09- Wanderlust
10- Speedway at Nazareth
11- Junkie doll
12- Sands of Nevada
13 -One more matinee

Nesse disco está o elo entre a maestria na guitarra, bons vocais e músicas rurais. Disco realmente épico.


Vintage Gear e nunca mais Pensa MK1...


Nesse disco volta a ativa a velha Fender Stratocaster 1961, usada poucas vezes no período do DS entre 1979 e 1980. E ela aparece logo na Straitaniana 'What it Is' e na filosófica 'Sailing to Philadelphia' Muita Les Paul em 'Silvertown Blues', 'Wanderlust', 'Junkie Doll' e na magnífica 'Speedway at Nazareth', assim como Gibson ES335, Telecaster 1952 e Gretcsh Country Gentleman

Todos os timbres vem de equipamentos vintage, não tem nada de modernidade aí. Tudo plugado em Marshalls JTM, Fender Twin e Fender Bassman (Baloney Again). A coisa mais nova aí é um Tone King.

Para a turnê, foram usadas Gibsons Les Pauls 58 e 59 ES335, Stratocasters 61 vermelha e uma 62 branca, Telecaster 52, Pensa MK2, Dobros e Martins. A partir daí, nunca mais a Pensa Suhr MK1 ou qualquer outra guitarra com EMG será vista nas mãos do Sr. Knopfler.

[Pegando fogo]
Aqui está a prova de que o homem estava decido a tocar guitarra pra caralho!

Qualquer coisa que você procurar no 'VocêTubo' do Sr. Knopfler ao vivo entre 2001 e 2002 é muito bom! As músicas ainda são aceleradas e com pegada forte. Sem dúvida, vale muito a pena apreciar seu amor pela guitarra nessa época.

Procurem também por 'Calling Elvis' ou 'Junkie Doll' ao vivo em 2001 que vocês não vão se arrepender de pegar uns licks do mestre.




Botando as barbas de molho....


Após a turnê do Sailing... Todo mundo esperava que o Sr. Knopfler viesse com mais uma pedrada, mas o que veio foi o contrário. Mark Knopfler, já demonstrando um certo cansaço, em quesitos guitarrísticos, começa a lançar materiais mais suaves e simples. Os próximos discos são calmos, mais voltados para o Country e a música vanguardista Européia do começo do século XIX. 

[Ragpicker's Dream]
Link do Album no GrooveShark Aqui!
Desse disco pra frente, não existem mais inovações guitarrísticas, apenas canções simples e bacanas, uma guitarra aqui e ali e bastante violão.

Os violões por sinal, viram os amigos do Sr. Knopfler daí pra frente.

Sempre usando equipamentos vintage, Mark embarca em um outro universo musical, por sinal, muito particular.
[Shangri-La - 2005]

As guitarras podem estar ficando de lado, um brilhosinho aqui outro ali, mas os timbres sempre melhorando e muito. Talvez essa seja a nova paixão guitarrística do Sr. Knopfler: O timbre. Isso porque sua principal paixão sempre foi compor!




[All The Roadrunning]

Logicamente que o Sr. Knopfler não deixa de compor maravilhosamente bem, seja o que for, sempre há um lirismo quase perfeito em suas músicas. Talvez o fato da sua paixão por tocar guitarra elétrica estar em baixa tenha o afastado da mídia, mas com certeza, pra ele, essa fase talvez seja sua liberdade pra fazer o que quiser.




[Kill to get Krimson]

Então Acabou...?


Não! Mark Knopfler sempre lança um disco a cada 2 anos. Sempre! Discos muito bonitos e bem timbrados.

Seus shows são 'mais do mesmo', porém com poucos solos de guitarra e músicas com o andamento reduzido. Sultans of Swing hoje, parece uma valsa de tão lenta que ficou. Na incrível 'Telegraph Road', Mark pega na guitarra apenas no sprint final, apenas pra constar.


[Get Lucky]
A partir de 2007, Mark Knopfler passa a gravar todo seu material em seu próprio estúdio, o aclamado 'Britsh Grove Studios'. 

Nesse estúdio, o Sr. Knopfler pode se deliciar com todo o equipamento vintage que quiser. Hoje, o Sr. Knopfler pode escolher entre umas 15 guitarras pra tocar em apenas uma música. Pode passar a tarde timbrando uma ES330 em 12 amplificadores diferentes.



Seu último disco, o duplo 'Privateering' lançado em 2013, é talvez seu melhor disco desde o 'Sailing to Philapelphia' tanto no quesito timbre, canções e performance. Mas, como é de "novo costume" do Sr. Knopfler, quem brilha mesmo nos discos são os convidados.

[Privateering]
Escute o Privateering aqui! 

Esse disco vale a pena! Mesmo!

Grandes canções, músicas envolventes, um disco quase contínuo. Como o 'The Wall', esse disco é pra ser ouvido do começo ao fim.

Pra quem é guitarrista, como eu, esse disco é uma aula de como se comportar no meio de uma banda de 9 caras!

Lógico que Mark ainda é capaz de fritar na guitarra, ele somente não quer mais. O que não tira seu brilho em nenhum momento.

Talvez hoje, o fato de não depender mais de um bom solo de guitarra ou de um 'mega hit' seja a vida que ele tanto quis. Talvez por isso, hoje ele tenha mais discos do que na época do Dire Straits. Como o próprio disse em 2001: -Costumava agonizar durante as gravações de guitarra dos Straits, hoje não mais.

Agora em 2014, Mark Knopfler, cada vez mais afastado de seu passado com os Straits, está preparando um novo disco e nunca se sabe o que está por vir. Estou ansioso pra mais uma lição!

É esperar pra ver!

Enquanto aguardamos, vamos apreciar o Sr. Knopfler relaxado e sua banda mandando ver em 'Telegraph Road'

[Telegraph Road - 2013]





E quem disse que misturar tudo isso que ele misturou, e fazer tudo o que ele fez é errado? Não basta só tocar guitarra que só a porra, tem que ter bagagem e saber compor muito bem. Nisso, o Sr. Knopfler, ao meu ver é imbatível.




E agora.... Acabou?


Acabou! Ufa! Por hora, chega do Sir Mark Knopfler!



Obrigado pra quem teve paciência de ler todo esse blá-blá-blá!

No próximo post, vou falar um pouco sobre o excêntrico Jeff Beck!


Obrigado e até já!