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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Mark Knopfler, o "errado" que deu certo - Parte 4 e Final! Ufa!

[Saideira...]
Ufa! Dessa vez prometo que termino a saga guitarrística do Sr. Knopfler. Enrolei muito, mas agora vai!

Enfim, depois da euforia guitarrística do Dire Straits, o chefão largou o barco e foi se aventurar em águas rasas.

Depois do quase lançamento do seu disco solo em 1993, o Sr. Markito (agora é com carinho), como disse no final do post anterior, encontra sua nova musa inspiradora. A Gibson Les Paul 1958!


Ah, Ele já tocava de Les Paul nos anos 80... E aí?


Já disse! Aqui, nada! Tudo bem, mas o próprio dizia que essa LP de 1984 não era lá essas coisas, ele gostava mesmo era do visual dela. Tanto que usava ela pouco.

[Ei, aceita cartão?]
Todo mundo sabe que a época mais foda das Gibson Les Paul são as GoldTop 1956 com p90, 1958 e 1959. Isso porque tinha Mogno sobrando e Jacarandá da Bahia legalizado pra usar à vontade, isto é, o cara fazia uma LP completa, se soasse feiosa, jogava fora ou queimava na lareira. Fora isso, os lendários PAFs ainda não haviam sido perdidos. Em resumo, essas guitarras são inacreditáveis, tanto que chegam a valer uma fortuna!


Sim, mas e essa Gibson 58??


O Sr. Knopfler comprou a mocinha dele por volta de 1995 e daí, gravou mais uma punhada de músicas pro disco novo tendo ela, a LP, como alvo.

A Les Paul do Sr. Knopfler é uma standard mesmo. Corpo e braço em Mogno de Honduras/Belize, Escala em Jacarandá da Bahia (Brazilian Rosewood), captadores PAF originais, e, após um fret-job e colocação de trastes dunlop 6100, o bicho pegou! 




O homem gostou tanto dessa LP 58, que várias músicas que ele tocava de strato, ele trocou pela Gibson!

[O homem e a Stratocaster 1954]

Fora essa Les Paul, o Sr. Knopfler também gastou mais um dinheirinho em uma outra Les Paul 1959 e numa Fender Stratocaster 1954, ambas originais. Ainda bem que ele tinha limite no cartão, né?

Enfim, guitarristicamente falando, o fraseado do Sr. Knopfler agora está mais relaxado e vintage, sem falar na gordura do som, que agora é gordo de verdade, com humbucker de verdade. E pra aumentar ainda mais a gordura, acho que ele só foi usar o captador da ponte da sua LP pra alguma coisa lá pra 2007!!!


E o timbre dessa LP 58...?


[Ao vivo com a LP58]

Ta aí! Agora, o Sr. Knopfler não vai mais deixar de saturar seus amplificadores! Em se tratando de Les Pauls, nunca mais!

Podem reparar que o fraseado está mais simples, mais Rock n' Roll, mais purista. E essa fase só irá refinar mais ainda, até meados de 2003, porque depois daí, o timbre continua show mas o guitarrista... nem tanto!







Bom, mas vamos pra fase que o bicho ainda pega!


[Golden Heart - 1996]
SETLIST:

01- Darling Pretty
02- Imelda
03- Golden Heart
04- No Can Do

05- Vic and Ray
06- Don't You Get It

07- A Night in Summer Long Ago
08- Cannibals
09- I'm the Fool
10- Je Suis Désolé
11- Rüdiger
12- Nobody's Got the Gun
13- Done with Bonaparte
14- Are We in Trouble Now


Os pontos fortes em termos de guitarra nesse disco são a novelística Darling Pretty, o 'rockão' Imelda, a vintage Don't You Get It (ambas de Les Paul) e o retorno das Pensas Suhr na introspectiva Vic and Ray e na belíssima Rüdiger. Mas pra mim o show mesmo esta no final de Je Suis Désolé.

Nota-se que novamente o ambiente das músicas muda, agora mais europeias, as músicas são descompromissadas e bacanas. Além disso, essa liberdade faz com que o Sr. Knopfler, preste suas homenagens as músicas tradicionais do Reino Unido.

Nesse disco ainda estão as Schecters Stratos e Teles, Pensas Suhr, Les Pauls, Martins, Dobros a inclusão de outros instrumentos tradicionais como Bouzuki, Mandolin entre outros. 

Pra esse disco e turnê foram usadas 4 Pensas, as ja tradicionais Pensa MK1 e Pensa MKS (Preta) ambas com os então "ultrapassados" captadores EMG e mais 2 recém encomendadas. Ambas com captadores passivos e timbre de strato puxando pro tradicional e sem a parceria com John Suhr.

[Pensa Custom]
Essa mocinha e a próxima foi feita para suprir apenas duas necessidades do Sr. Knopfler. Uma era que ele estava cansado do som dos caps ativos e outra que ele também estava cansado de stratocasters. Porém, como stratos eram sua marca registrada, ele solicitou 2 guitarras que tivessem o shape de uma strato, mas fossem feitas de Mogno e com captadores de altíssima performance, que seriam os Lindy Fralins '54.


[Pensa MK 2]
O homem estava tão maluco por Gibsons e tão desgostoso por stratos que encomendou para Rudy Pensa uma Strato/Gibson, isto é, uma Gibson disfarçada numa strato. Isso porque a MK2 tem o corpo arqueado, ponte tune-o-matic e braço e escala no padrão Gibson. As únicas coisas de strato nessa guitarra são os captadores single, o formato do corpo e do headstock. Só!

Com essas mocinhas, a vida do Sr. Knofler se voltava para o som orgânico.


Mas e ele ligava isso tudo onde?

[Crank it Out]
Nos famosos e quase inseparáveis Soldanos SLO, Marshall JTM, Fender Twin e Crate. Isso mesmo, amplificadores Crate que ele mesmo detestou depois.

Fora isso, ainda havia toda a parafernália de efeitos, que agora era reduzida, pois o homem não queria muito trabalho com os pés.

Pois é, depois que chega certa idade, menos é sempre mais!



Bom, depois do debut como artista solo, o Sr. Knopfler novamente se junta com seus amigos cowboys do Notting Hillbillies para mais uma temporada de shows. Mas agora tudo faz sentido, pois toda cabecinha do Sir Mark está voltada pra música que mais gostava: A simples!


De Les Pauls, Dobros e Strato vintage, o Scottish-Cowboy agora esta pisando em terra firme. 

Lembram do disco do NHB? Não era um vintage com timbres modernosos? Pois agora é vintage, com sonoridade, equipamento e timbre vintage de verdade. É aí que o fraseado jazz-caipira, que se tornaria o cowntry (cáuntri ou k-1-three) prevalece sobre os demais.

[Vintage Knopfler]
Nessa época, MK começa a abandonar quase por completo outra de suas marcas registradas, o pedal de volume.

Bacana dessa fase é que até o ano 2000 Mark Knopfler não lançaria nenhum novo album, apenas trilhas sonoras em que os ambientes se tornam ainda mais vintages.

Todo esse hiato é muito bom, pois o próximo disco será extraordinário, uma mistura perfeita do Dire Straits com a cultura raiz do sul dos Estados Unidos. O próximo disco será também o último em que o Sr. Knopfler mostrará toda sua destreza nas guitarras.


'Guitarrando' para Filadélfia....



[Sailing to Philadelphia]

Pra mim, esse disco sintetiza toda a carreira musical/guitarrística do Sr. Knofpfler. Tem muita guitarra, muito timbre foda e músicas de tirar o chapéu. Aqui tem Blues, Country, Rock, músicas na pegada do começo do Dire Straits, músicas grandiosas e aquelas bem soturnas que só o Sr. Knopfler poderia compor.

Esse disco demorou 3 anos pra ficar pronto, isso porque as sessões de gravação foram divididas em 2 partes, uma em Londres e a outra em Nashville.

Aqui o 'Caba' manda brasa mesmo na guitarra, e sem egoismo. Isso porque a partir daí, a presença de convidados nos seus discos se torna um hábito cada vez mais frequente. Mas nesse disco a coisa é simplesmente demais, pra mim, esse é o melhor disco da carreira pós Straits do Sr. Mark Knopfler.

[Sailing to Philadelphia - 2000]
SETLIST:

01- What it is

02- Sailing to Philadelphia
03- Who's your baby now
04- Baloney again
05- The last laugh
06- Silvertown blues
07- El Macho
08- Prairie wedding
09- Wanderlust
10- Speedway at Nazareth
11- Junkie doll
12- Sands of Nevada
13 -One more matinee

Nesse disco está o elo entre a maestria na guitarra, bons vocais e músicas rurais. Disco realmente épico.


Vintage Gear e nunca mais Pensa MK1...


Nesse disco volta a ativa a velha Fender Stratocaster 1961, usada poucas vezes no período do DS entre 1979 e 1980. E ela aparece logo na Straitaniana 'What it Is' e na filosófica 'Sailing to Philadelphia' Muita Les Paul em 'Silvertown Blues', 'Wanderlust', 'Junkie Doll' e na magnífica 'Speedway at Nazareth', assim como Gibson ES335, Telecaster 1952 e Gretcsh Country Gentleman

Todos os timbres vem de equipamentos vintage, não tem nada de modernidade aí. Tudo plugado em Marshalls JTM, Fender Twin e Fender Bassman (Baloney Again). A coisa mais nova aí é um Tone King.

Para a turnê, foram usadas Gibsons Les Pauls 58 e 59 ES335, Stratocasters 61 vermelha e uma 62 branca, Telecaster 52, Pensa MK2, Dobros e Martins. A partir daí, nunca mais a Pensa Suhr MK1 ou qualquer outra guitarra com EMG será vista nas mãos do Sr. Knopfler.

[Pegando fogo]
Aqui está a prova de que o homem estava decido a tocar guitarra pra caralho!

Qualquer coisa que você procurar no 'VocêTubo' do Sr. Knopfler ao vivo entre 2001 e 2002 é muito bom! As músicas ainda são aceleradas e com pegada forte. Sem dúvida, vale muito a pena apreciar seu amor pela guitarra nessa época.

Procurem também por 'Calling Elvis' ou 'Junkie Doll' ao vivo em 2001 que vocês não vão se arrepender de pegar uns licks do mestre.




Botando as barbas de molho....


Após a turnê do Sailing... Todo mundo esperava que o Sr. Knopfler viesse com mais uma pedrada, mas o que veio foi o contrário. Mark Knopfler, já demonstrando um certo cansaço, em quesitos guitarrísticos, começa a lançar materiais mais suaves e simples. Os próximos discos são calmos, mais voltados para o Country e a música vanguardista Européia do começo do século XIX. 

[Ragpicker's Dream]
Link do Album no GrooveShark Aqui!
Desse disco pra frente, não existem mais inovações guitarrísticas, apenas canções simples e bacanas, uma guitarra aqui e ali e bastante violão.

Os violões por sinal, viram os amigos do Sr. Knopfler daí pra frente.

Sempre usando equipamentos vintage, Mark embarca em um outro universo musical, por sinal, muito particular.
[Shangri-La - 2005]

As guitarras podem estar ficando de lado, um brilhosinho aqui outro ali, mas os timbres sempre melhorando e muito. Talvez essa seja a nova paixão guitarrística do Sr. Knopfler: O timbre. Isso porque sua principal paixão sempre foi compor!




[All The Roadrunning]

Logicamente que o Sr. Knopfler não deixa de compor maravilhosamente bem, seja o que for, sempre há um lirismo quase perfeito em suas músicas. Talvez o fato da sua paixão por tocar guitarra elétrica estar em baixa tenha o afastado da mídia, mas com certeza, pra ele, essa fase talvez seja sua liberdade pra fazer o que quiser.




[Kill to get Krimson]

Então Acabou...?


Não! Mark Knopfler sempre lança um disco a cada 2 anos. Sempre! Discos muito bonitos e bem timbrados.

Seus shows são 'mais do mesmo', porém com poucos solos de guitarra e músicas com o andamento reduzido. Sultans of Swing hoje, parece uma valsa de tão lenta que ficou. Na incrível 'Telegraph Road', Mark pega na guitarra apenas no sprint final, apenas pra constar.


[Get Lucky]
A partir de 2007, Mark Knopfler passa a gravar todo seu material em seu próprio estúdio, o aclamado 'Britsh Grove Studios'. 

Nesse estúdio, o Sr. Knopfler pode se deliciar com todo o equipamento vintage que quiser. Hoje, o Sr. Knopfler pode escolher entre umas 15 guitarras pra tocar em apenas uma música. Pode passar a tarde timbrando uma ES330 em 12 amplificadores diferentes.



Seu último disco, o duplo 'Privateering' lançado em 2013, é talvez seu melhor disco desde o 'Sailing to Philapelphia' tanto no quesito timbre, canções e performance. Mas, como é de "novo costume" do Sr. Knopfler, quem brilha mesmo nos discos são os convidados.

[Privateering]
Escute o Privateering aqui! 

Esse disco vale a pena! Mesmo!

Grandes canções, músicas envolventes, um disco quase contínuo. Como o 'The Wall', esse disco é pra ser ouvido do começo ao fim.

Pra quem é guitarrista, como eu, esse disco é uma aula de como se comportar no meio de uma banda de 9 caras!

Lógico que Mark ainda é capaz de fritar na guitarra, ele somente não quer mais. O que não tira seu brilho em nenhum momento.

Talvez hoje, o fato de não depender mais de um bom solo de guitarra ou de um 'mega hit' seja a vida que ele tanto quis. Talvez por isso, hoje ele tenha mais discos do que na época do Dire Straits. Como o próprio disse em 2001: -Costumava agonizar durante as gravações de guitarra dos Straits, hoje não mais.

Agora em 2014, Mark Knopfler, cada vez mais afastado de seu passado com os Straits, está preparando um novo disco e nunca se sabe o que está por vir. Estou ansioso pra mais uma lição!

É esperar pra ver!

Enquanto aguardamos, vamos apreciar o Sr. Knopfler relaxado e sua banda mandando ver em 'Telegraph Road'

[Telegraph Road - 2013]





E quem disse que misturar tudo isso que ele misturou, e fazer tudo o que ele fez é errado? Não basta só tocar guitarra que só a porra, tem que ter bagagem e saber compor muito bem. Nisso, o Sr. Knopfler, ao meu ver é imbatível.




E agora.... Acabou?


Acabou! Ufa! Por hora, chega do Sir Mark Knopfler!



Obrigado pra quem teve paciência de ler todo esse blá-blá-blá!

No próximo post, vou falar um pouco sobre o excêntrico Jeff Beck!


Obrigado e até já!
 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Mark Knopfler, o "errado" que deu certo - Parte 3

Isso é hora, Arthur....

É sim...! E segue o mundo...

[guitarrinha nova]
De guitarra nova e um pouco mais disposto a se divertir, o Sr. Knopfler inicia seu processo de "renascimento". Mas como ele é um cara meio devagar, ele primeiro resolve tocar uns 'coverzinhos' aqui e ali.

Nessa brincadeirinha, um projeto que nasceria em meados de 1986/1987 vem à tona. Juntando velhos amigos e parceiros como Steve Phillips e Bredan Cocker, esses três 'British Cowboys' resolvem eternizar essa 'Festa de Peão' fundando uma bandinha chamada 'The Notting Hillbillies'. Essa bandinha legal começa com um punhado de 'cover songs', alguns showzinhos e finalmente lançam um disco bem bacana e caipira chamado 'Missing... Presumed Having a Good Time'. 

Esse disco tem 3 músicas autorais, uma logicamente cada um composta por cada um dos 'British Cowboys'. 

Em termos guitarrísticos, não tem nada de novidade. O diferente é a questão filosófica. Mark Knopfler, que sempre foi o 'frontman' de tudo o que fez, assume o posto de 'membro de banda', o que o deixa em uma posição confortável pra tocar, mesmo não sendo a 'voz principal' da banda. Sobre os timbres, o que se nota nesse disco é o timbre de 'drive' da Pensa Suhr que outrora não estava tão afiado, mas agora começa a tomar a forma que irá se conhecer no próximo disco dos Straits.

Guitarra!? ...Check it out!

[Like Albert King]

Não é boquinha não!
Nessa Brincadeirinha ai, o timbre dele está bem diferente do habitual. O antes cristalino e com pouco drive, agora vem carregado de overdrive, que aliados a esses EMGs, dão um timbre todo especial!

Lógico que hoje esses timbres de captadores ativos estão meio fora de moda, mas na época isso era o cume da timbrologia guitarrística!







Mas vamos ao Disco...!
 

[Notting Hillbillies]
Em resumo, 'Missing... Presumed Having a Good Time' é uma mutreta bem organizada. Toda a cozinha foi feita no teclado pelo Strait' Guy Fletcher, os violões, guitarras e a sensacional 'Pedal Steel Guitar' de Paul Franklin, que seria determinante na sonoridade dos Straits, foram gravados depois. E pra completar a mutreta, a maioria das músicas são Tradicionais, isto é, de autoria desconhecida, que anula o pagamento dos direitos autorais.




Eu quero é mais guitarra...


Tá bom....! Nesse disco foram usados esses 4 dobros aí da foto, mais uns violões contruídos pelo Steve Phillips (1º da foto), uma Gibson L6 (ou seria uma Super 400?), Schecter Telecaster e a famigerada Pensa Suhr!

[Your Own Sweet Way]
Outra pérola desse disco é a Jazzy 'Your Own Sweet Way'. Essa 'charmosura' (Hoje meu português está impecável) é muito bacana de escutar. O som da guitarra é legal, caps ativos e tudo, mas é um pouco cansado de ouvir hoje. Mesmo assim, aí está! Ora pois!


Pra que tiver interesse em se tornar caipira, segue o link do disco.
Album aqui! 



E tome caipirice...

[Yaahooo]
Lógico que o moço aí (Esse não!) não poderia perder a oportunidade de virar um cowboy completo e, sem rodeios (hoje estou impecável), se "muda" pra Nashville, mais precisamente pra casa do real 'Mr.Guitar', o grandioso Chet Atkins!

Obviamente, Chet sempre foi uma grande inspiração para o Sr. Knopfler. Os dois já se conheciam e rolava uma participaçãozinha aqui e ali. Inclusive em um dos shows pra TV de Chet Atkins, Mark é um dos convidados que mais aparece. Sendo um dos pontos altos desse 'show' uma versão para 'Ill See You In My Dreams' de  Isham Jones / Gus Kahn 

Bacana, né? Ora, claro que sim! Queria eu ter a chance de tocar 10 segundos com o Chet, quicá uma música, e um disco... Nossa, nem penso nisso.

Chet Atkins era um cara muito bacana, divertido e tomador de café. Dizem que ele chamou o Sr. Knopfler para essa parceria, pois além de Mark ser gente boa e tomador de chá, também tocava 'fingerstyle' assim como o próprio 'Mr. Guitar'.

Novamente, em se tratando de guitarras, nada de novo. Por sinal, é mais ou menos a mesma mutreta do NHB, isto é, tudo feito no teclado e os 'Caipiras' gravando depois.

[Neck and Neck]

 Na verdade, quem dá um 'côro' aqui é o 'Velho Chet'. A 'caipiragem' está no sangue do velhinho e o nosso 'Rocker Favorito' faz um pouco da sua graça.

No mais, Sr. Knopfler leva uma Pensa Suhr emprestada pelo Josh Suhr e um Violão Steve Phillips.

Nada de novo, aliás, o oposto! Só tem músicas 'Country Roots'

E haja cigarrinho de palha!


Bom, depois de brincar de fazendinha, tava na hora de sentar no ônibus e voltar pra....


Pérérumrumré-tumrérumrérérum-terérumtérerum-pérererum... Tchééén!

Deu o carái! Na verdade isso aí é o lick de 'Calling Elvis'!!! Esse 'lickão' aí, mudou toda a timbragem do Sr. Knopfler até o momento.


Agora sim...! Chega de fru-fru e bota som ai!


Lógico! Nem eu aguentava mais! E nem ele, eu acho.

[Dire Puppets]
Então, Após esse hiato, O Sr. Knopfler reúne os bons velhos/novos Straits para gravar mais um disco. Novamente, Mark e sua turma chamam uma penca de bateristas pra gravar o novo disco e pra manter viva a lembrança da 'Caipirice', ele chama o incrível Paul Franklin (Esse mesmo! O do Pedal Steel) para compor a banda.

Pronto! Esse cara passa a dividir os solos com o Sr. Knopfler e sua Pensa, e cá entre nós, esse branquelo do Mullet Grande quebra tudo!!!

A timbragem desse disco é espetacular, as guitarras do Sr. Knopfler estão impecáveis e as válvulas do Soldano SLO de 200W estão fervendo até hoje!

Antes das gravações começarem, o Sr. Knopfler escolheu a dedo suas melhores e mais modernas guitarras que dispunha na sua humilde casa.

[As meninas da turnê! Não do disco]


Violões:
Godin L.R. Baggs Tele
Ramirez
Dobro National Style O

Guitarras:
Pensa Suhr MK1
Pensa de Compensado
Schecter Tele
Schecter Strato
Fender/Suhr Strato
Gibson S400 (fora da foto)


No Disco ainda entram um violão Guild  e a Gibson Les Paul Reissue Cherryburst de 1984.

O timbre das guitarras, principalmente a Pensa, está carregada de drive como nunca visto ou ouvido antes na vida do Sr. Knopfler. Um dos baratos dessa fase 'overdriven' do Sir Mark, é que ele está com um fraseado bem econômico e com um bom gosto fora do normal. Eu acho essa fase entre 1991 até 1993 como uma das melhores dele. Fraseado elegante, timbre fantástico e quando se menos espera, ele faz um vruuuum e mete aquela frase, que como diria o Rei, a 200 quilômetros por hora!

A gente pode ouvir esse puta timbre em 'Calling Elvis', 'Heavy Fuel' na incrível 'Planet of New Orleans' e na capirirosa 'How Long'

Então, simbora ouvir essa parada!

[On Every Street]
SETLIST:

01 - Calling Elvis
02 - On Every Street
03 - When It Comes To You

04 - Fade To Back
05 - The Bug
06 - You And Your Friend
07 - Heavy Fuel
08 - Iron Hand
09 - Ticket To Heaven
10 - My Parties
11 - Planet Of New Orleans
12 - How Long




[Fade to Black Live]
Um dos timbres mais foda desse disco é no Jazz/Blues 'Fade to Black'. Nessa aí, ele bota quente na sua Super 400, ao vivo então, nem se fala! Escutem! Aqui mal tem uma penta, é só sofisticação e fraseado Jazz de primeira!

Tem uma pulga atrás da orelha que sempre me diz que boa parte desse timbre de drive usado com a Pensa vem aliado a um Wah em uma posição fixa, suficiente pra fazer somente, como diz o meu grande amigo e puta guitarrista Marquinhos Uchoa, o 'som de ó'
Acredito que sim, pois o Sr. Knopfler usava um rack de efeitos Zoom 9010! Isso mesmo... ZOOM!

Existe uma foto tirada pelo Guitar Tech da banda Ron Eve na época da turnê desse disco que sintetiza bem a complexidade dos timbres do Sr. Knopfler para cada música. Aqui tem de tudo, equalização, nível dos efeitos, e qualquer treco que se usasse no timbre das guitarras.

[Detalhes tão pequenos....]

Legal né? Também acho!


Agora vamos ver isso aí na prática!

[On The Night]
Não sei até que ponto foi o clima de despedida, já que o Dire Straits acabava aqui, ou se os shows eram realmente bons e vendáveis. Só sei que saiu um disco ao vivo muito bom. E aqui dá pra ouvir bem o timbre Super Rock do Sr. Knopfler fervendo na orelha!



Pra quem só quer saber de Dire Straits, pode parar por aqui!


Bom, depois de 20 anos de correria, o Sr. Knopfler quis se aquietar e resolve seguir carreira solo, o que daria no mesmo, já que 99,99% das músicas dos Straits dão dele, mas não. A partir de agora, chega de músicas extremamente radiofônicas, agora é hora de afinar as Gaitas Escocesas e subir nas montanhas, pois a direção musical será outra!

Mas ele continua afiado na carreira solo...?

Sim, sim! E continua bom demais, mas de uma maneira diferente.


Então da-lhe!

Ok! Logo após o fim da banda, o Sr.Knopfler aproveita pra tocar com os parceiros do Hillbillies e fazer pequenos shows. Isso porque sua cabeça já estava focada no disco novo, que agora levaria somente seu nome.

Acontece que, Após tirar suas Pensas novamente de casa, gravar mais umas 10 músicas, mixar, finalizar o disco e enviar para a prensagem, O Sr. Knopfler manda parar tudo. Ele percebeu que muita coisa não iria mudar com seu disco solo, os timbres eram os mesmos, as guitarras eram as mesmas, tudo era quase a mesma coisa. Faltava uma nova 'Menina dos Olhos', uma menina que trouxesse a inspiração rejuvenescida

E ela veio. Entra em cena a mocinha responsável, ao menos pra mim, o 'Timbre Knopfler Sec. 21'. Ela, a Gibson Les Paul 1958 Original!


[Ela é a fera]
Tudo muda a partir dela. Bicho, o timbre que ele tira dessa LP está, indiscutivelmente, no meu top 3 timbres de Les Paul!


Com ela, o fraseado do 'homi' fica vigoroso, gordo e macio. Acho que a LP 58 combina muito mais com ele hoje do que a Stratocaster.



Mas a Les Paul, junto com a carreira solo do nosso, ao menos meu, mestre fica pro próximo post.


Na parte 4 e FINAL do universo guitarrístico do Sr. Knopfler fica ainda pra essa semana! Nele vou falar um pouco sobre seu timbre totalmente 'avintajado' (Hoje estou de matar!) e seu sossego/desencano em relação as guitarras elétricas!


Abraço e até logo!


Vai timbora...!



Fui!



 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Mark Knopfler, o "errado" que deu certo - Parte 2 e 4/8

... E novamente na saga das seis cordas do Sr. Knopfler...

Durante a época 'super criativa' (leia-se anos 80), os órfãos de Rock n' Roll poderiam dizer que havia um porto seguro. Não o único, mas certamente a música do Sr. Knopfler era um deles.

Apesar de não considerar a banda Dire Straits/Mark Knopfler como 'Rock', ela tem seus momentos de "rebeldia controlada". E é exatamente aí que entra a nova fase guitarrística do Sr. Knopfler.

Após o álbum 'super shredder finger picking' Alchemy. Mark Knopfler não poderia parar e mais uma vez o bicho ia pegar.


E pegou...?

E como! Mas antes da tempestade, vem a calmaria.
Nesse 'período maracujina', o Sr. Knopfler nos presenteia com mais 2 trilhas sonoras.

[Cal]
'Cal', vem repleta de ambiências dramáticas, gaitas escocesas, flautas e um sentimento meio 'Highlander'. Todo disco é bem calminho, repleto de sintetizadores e algumas guitarras.

Mais uma vez a prova que guitarra não é tudo, nem 100%. Principalmente no quesito trilha sonora.

Ótimas composições estão nessa trilha. Vide 'The Long Road', 'Irish Boy', 'Father and Son' e a interessante 'Fear and Hatred'. 


Pra mim, ouvir trilhas sonoras bem elaboradas é como ouvir Pink Floyd. Tudo gira em torno de uma temática ou uma pequena melodia.


[Confort and Joy]
Numa vibe diferente, Knopfler vem com outra trilha sonora (Vá gostar de trilha assim...)

A coisa gira em torno de músicas dos Straits mais três composições originais para o filme, uma delas bem na cola do 'Weather Report'. Isso mesmo! Uma pena Jaco não estar bem do juízo, porque certamente ele seria o cara pra esse 'funk jazzeado' intitulado de 'Joy'




E a tempestade...?

Bum! Só se for agora!
Depois do sossego e água de coco, o Sr. Knopfler chama a trupe do barulho pra gravar um punhado de 9 canções na Ilha de Monserrat

Pois bem, todo mundo de shortinho Adidas, camisetas brancas e poses bem estranhas! Porque a gravação vai começar!

[Olha a foto! Welcome to the 80's]
Nesse clima festivo e descontraído, foi chocado o 'ovo de ouro' do Sr. Knopfler.

Uma reunião de canções impecáveis, umas 'meio pop' e outras épicas, o disco que se segue é simplesmente perfeito.

Pra essa empreitada seguir os moldes da perfeição, foi adicionado um segundo tecladista (Guy Fletcher), um Saxofonista e mais uma penca de gente. Incluindo 2 baixistas: O grande 'StickMan' Tony Levin e o não menos 'grooveiro' Neil Jason. Acredito que esses dois vem pra suprir o instrumentista mais 'fraco' da banda.

[Brothers in Arms]
BAM! O que se segue é uma enxurrada de músicas, texturas e sons de arrasar.

Toda parafernália técnica estava disponível para os Straits na época, tudo mesmo!

O Sr. Knopfler grava todas as guitarras desse disco. De acordo com meu amigo Brunno Nunes, esse chega a ser considerado o seu primeiro trabalho solo, visto que nem seu baixista de longa data John Illsley grava todas as músicas.



Mas e as guitarras....?

[O 'Pé de Galo' olhando as belezinhas do disco]



Aqui ó!
Aí estão Gibson Les Paul (não é a 59, muito menos a 58), Gibson L6, acredito que uma Gibson 175, Fenders Strato e Tele bem como as famosas Schecters e um Violao Martin que não sei a referência (Atenção meu especialista Pedrão! Que Martin é esse?). Não estão na foto, mas entram aí também o famigerado Dobro National, uma Steiberber com 2 EMGs e uma Guitarra Pensa Custom (não é a que vocês estão pensando) ligada num SynthClaviar que vivia dando pau!

No quesito amplificadores, os Marshalls estão em evidência. Nas gravações foram usados Plexi e JTM, amps Jim Kelley, Laney e possivelmente Mesa Boogie (finalmente escrevi certo).

Sobre execução de guitarra, o Sr. Knopfler dá o show de sempre. O Do Jazz ao Rock, e o drive, que era meio discreto, em certas ocasiões dá o tom das canções.

Basicamente, O 'Sr. Gosto de Guitarras' usou o seguinte rack de efeitos:

-Roland SRE555 Chorus/Echo
-Delt Lab Digital Delay
-MicMix Dyna-Flanger
-Master Room Reverb Unit
-Roland Graphic EQ

-Ibanez UE303 Multi Effect

E um monte de Boss:
-CE300 Chorus
-DM2 Delay
-CS2 Compressor
-2 CE2 Chorus
-BF2 Flanger
-PH2 Phaser
-OC2 Octaver

Muita tranqueira, não? Pois é, eu disse que estava tudo disponível.



Ah, bestão... Tá faltando um pedal aí....!!

Tô ligado, mas foi um acidente de percurso!
Todo mundo sabe que o timbre de 'Money For Nothing' vem, em sua essência, de um Wah-Wah Cry Baby numa posição fixa. Por isso aquele 'som de cano'

Mas esse som aconteceu por acaso, isso porque, em resumo, alguém pisou no 'Cry Baby' durante um intervalo, e quando o 'Sr. Knopfler' foi timbrar pela nonagésima vez sua Gibson Les Paul pra esse música, o som estava lá! O resto é história.



Cadê o som de cano...?

Toma aí!
[Money For Nothing - só guitarra SHOW!!]
A bronca aqui é grande! 
Aqui é totalmente perceptível a presença das 'ghosts notes', logicamente evidenciadas pelo drive, muito ritmo e power chords (que de power não tem nada)

Nesse take estão contidas 2 guitarras, a base e o overdub, que é ligeiramente diferente da base, o que traz naturalidade à faixa.

Lí em algum lugar que durante a gravação dessa faixa, que no disco tem 8 minutos, um dos produtores, Neil Dorfsman, sugeriu que Mark solasse extensamente durante os minutos finais da música. A resposta do mestre foi: "- Like an Rock guy??"

Resultado.... NO WAY! E a coisa toda já fala por si.


E tem mais...?

Do cano? Não! só aí mesmo!
Emfim, no restante do disco o Sr. Knopfler nos presenteia com o alto nível de guitarradas. Tem palheta e slide em 'Mans Too Strong', um Reggae intrincado cheio de climas com muito som de strato em 'Ride Across The River', guitarras synth em 'So Far Away', progressões de acorde sensacionais na "motelesca" 'Your Lastest Trick', psicodelia em 'Why Worry', Twist de Telecaster em 'Walk of Life' e o começo de uma paixão por Les Paul em 'Brothers in Arms'.

Pra quem quer tocar feito o mestre, a dificuldade está apenas na mão do ritmo, o resto não é complicado não! Complicada é a mente do rapaz!



Massa! E então, vamos ao disco...?

[Brothers In Arms - 1985]
SETLIST:



1- So Far Away
2- Money For Nothing
3- Walk of Life
4- Your Latest Trick
5- Why Worry
6- Ride Across The River
7- The Man's Too Strong
8- One World
9- Brothers In Arms







Mais uma vez, depois desse disco, o resto é história!

E a canção 'Brothers In Arms' hein!? Pelamor... É um show de sensibilidade com uma Les Paul ligeiramente fora de fase e pedal de volume, interpretação magistral!


E esse som 'fora de fase'..???

Todo mundo sabe o que é, mas no caso da Les Paul reissue fabricada 1984 do Sr. Knopfler, um dos knobs é um inversor gradual de fase. Então há aí um som 'meio termo' entre Les Paul tradicional e a Les Paul do Peter Green!


Talvez o show que resuma bem essa fase dos Straits é o famoso concerto no 'Wembley Arena' durante o 'Live Aid'. Mas eu acho o show final na Austrália como o resumo dessa coisa toda.

Lá vai!



[Dire Straits - Live Sydney - 1986]






















É muita coisa pra absorver, não? Pois é, tanta coisa que o Sr. Knopfler cansou da banda e depois de um zilhão de shows entre 1985 e 1986 o homem deu uma pausa.




Calmaria e notas podres...


Depois do sucesso da banda, o Sr. Knopfler foi encontrar velhos amigos, tocar Elvis e Country, relaxar o bigode e tocar nos discos de quem ele achava legal, gravar mais algumas trilhas. Enfim, Nada que o exigisse demais.

Nessa pegadinha se fortaleceu a amizade com o então cachaceiro Eric Clapton. Diz a lenda que um influenciava o outro de maneira indireta, eu não acredito. Bom, com essa parceria, nuvens negras pairavam sobre a cabeça do Sr. Knopfler. Isso porque poucas vezes consegui ouvir uma colaboração tão ruim!


Ah, tá bom! Knopfler e Clapton... ruim...?

[Aaargh!]
Ruim não! Horrível! Sabe quando chamam você pra tocar numa banda que você não sabe o que fazer? Pois isso aconteceu com o Sr. Knopfler. Seu estilo único e eclético de nada adiantou com Sr. Clapton. Até hoje não ouvi nenhuma música tocada pelos dois entre 1987 e 1989 que não fosse um desastre. Além disso, Clapton vivia a sua fase musicalmente mais estranha.
(Vou deixar isso pro post sobre o Sr. Clapton)

Um DVD de uma tranqueira dessas é vendido em bancas de revista. O 'After Midnight' Custa em média R$9,90. Por favor, NÃO COMPREM!

É tão ruim, que nem vou colocar um videozinho aqui!

Procurem por 'Twelft Night' que vocês vão entender o que eu digo.



Nessa época aí, começou uma tremenda parceria entre Knopfler, Rudy Pensa e John Suhr, que iria resultar em uma as guitarras mais foda que eu já vi!



Vem aí... A Favorita!

[Plim - Plim]
Rudy Pensa possui uma loja muito legal em NYC chamada 'Rudy Music Shop'. Ele é um colecionador de guitarras e também fazia serviços autorizados para Fender e principalmente para a Schecter. O grande John Suhr nessa época, trabalhava tanto pra Rudy quando para o Sr. Knopfler.


Durante 1984 e 1988 essa parceria entre Rudy, Mark e John iria resultar em um desejo do Sr. Knopfler de possuir uma guitarra com uma gama maior de timbres. Foi aí que nasceu a 'Pensa Suhr'.


Mas como tudo é um processo de tentativa e erro, vieram vários protótipos, até chegar na versão final.

Existe toda aquela história de que a guitarra nasceu num guardanapo de cafeteria. Mas pra mim, como dizem os grigos: - Bullshit!

Logicamente, outras guitarras foram surgindo e sendo usadas até chegar na sua versão final.


[Orange Foam - 1984]
A primeira de todas, provavelmente foi essa strato feita de 'Structural Foam' ou 'Compensado' o som é esquisito, mas legal.

Basicamente uma strato com captadores legais.

Depois dessa aí, que veio meio 'por acaso', a coisa começa a tomar forma e nasce o que pra mim é o protótipo final.

[MK Special - 1986]
Essa mocinha aqui foi usada muitas vezes. Foi a guitarra número 1 do Sr. Knopfler até meados de 1988. Já é quase a forma final do que seria a MK-1. tanto que seu nome é "Mark Knopfler Special"

Possui um corpo em Mogno, braço em Maple e escala em Rosewood ou Ébano. Possuia Captadores EMGs '85-Sa-Sa' e diferente das próximas guitarras, o Floyd funciona!



[Early MK1]

Essa outra mocinha aqui foi usada durante as gravações do 'Land of Dreams' de Randy Newman. É basicamente a mesma especificação da 'MK Special'. Porém, nela estão adicionados um knob de tonalidade com um "push-pull secreto". 

Provavelmente essa guitarra foi descartada após o nascimento da próxima belezinha



Agora... A Favorita!

[Plim Plim! Pensa Suhr MK1 - 1988]
Aqui não!

Essa exata guitarra foi a 'menina dos olhos' do Sr. Knopfler. Tá vendo que ela não nasceu num guardanapo!

Ela tem uma série de paranoias ou frescuras que foram aplicadas somente nessa guitarra!

Além de ser uma guitarra feita pra tocar tudo (que era o desejo do Sr. Mark Knopfler) ela tem toda a pinta de uma guitarra feita exatamente pra isso. Tanto que o Sr. Knopfler conseguia fazer 90% do Show somente com ela.

Ela vem com um corpitcho em Mogno, Top em 'Carved Flamed Maple', braço em Maple com escala em Ébano, Floyd Rose travado. 

Detalhe dos captadores EMG (85-Sa-Sa) é que o humbucker é montado direto na madeira, sendo que a moldura desse captador é todo o tampo de maple. Trabalho de um gênio chamado John Suhr. Isso porque o Sr. Knopfler não gostava das molduras. 

Continuando, os EMGs ativos eram moda na época, além de eliminar as frequências de rádio, nas mãos certas, falavam muito. 

O push-pull secreto no 'tom' liga o SPC (ou Fat Control) no talo. Dando uma engordada geral no som da guitarra. Em resumo, uma guitarra que até hoje tem seus seguidores.

Essa guitarra, junto com a Fender Strato, é a marca registrada visual ou sonora do Sr. knopfler!

E a estreia oficial tinha que ser num show bacana. Era no concerto para Nelson Mandela em 1988, e ao lado de Eric Clapton. (Tenho pena dessa guitarra entre esse show e o final da turnê com Clapton. A coitada deve ter se achado muito mal nascida)

Mas e o som....?


Bem a estreia 'Não Oficial' aconteceu no show 'Pré Mandela' e ela não decepciona. 
Nesse show está o embrião do que seria o 'som Knopfler' dos anos 90!

[Hammersmith Odeon - Warm up concert for Mandela]




É MUITO SOM MEU PIRRAIA!


Já escrevi demais por hoje!

Falo da 1º ressurreição no próximo post junto com mais um monte de tranqueira, leia-se Pensa Suhr, Gibson 1958....


Abraço e até lá!


Arthur